terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

talento

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vida
dobra:
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tua
sobra
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minha
obra
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Abraão Vitoriano

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Degraus

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Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...

Mario Quintana - Baú de Espantos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Convicto

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O que tenho de danado
É ser apaixonado pela vida...
Não sei até onde isso é pecado, e ser for
Estou condenado feito passarinho...
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Abraão Vitoriano

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Manjado

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prefiro
a fome dos apaixonados
ainda que finde em dor
melhor
que esse verso
já molhado de amor
!
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Abraão Vitoriano

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Vivaz

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de sofá
Ela é
de café
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Abraão Vitoriano

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cavaleiro Errante

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Nubladas tardes de silêncio. Meu dedo na boca. Uma vela ainda queima na crença por ti. A cama de solteiro se fazia ninho: teus olhos tontos bebendo-me! Ritual de gosto. Hoje, distante súplica. Não sei o rumo do teu galope, o último rio. Bem pudera meus cachos de família enlaçar tu, e fim.
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Abraão Vitoriano

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pena


eu e tu
tu e eu
nem orfeu



Abraão Vitoriano

domingo, 27 de dezembro de 2009

Poema de Natal

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Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

-Vinicius de Moraes -